Financiamento da Cultura
Gabriela Canavilhas alertou para o “colapso iminente do Estado social” nos países Europeus, defendendo a urgência de “minimizar” a dependência do actual modelo e procurar formas alternativas de financiamento do sector.
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“O Estado social está ameaçado”, disse a governante, indicando que “os défices públicos estão a obrigar a repensar o financiamento” que foi crescendo desde o período do pós-guerra, e sobretudo com os grandes investimentos realizados a partir dos anos 1970, nas áreas da cultura e do lazer.
No caso concreto de Portugal, na área da cultura, recordou que esse investimento deu-se sobretudo a partir dos anos 1990, com a criação do Ministério da Cultura e a entrada de fundos comunitários que deram origem a uma “época dourada”, mas que viria a acarretar depois “o aumento de despesas de funcionamentos das estruturas” tuteladas.
Gabriela Canavilhas lembrou que em Portugal há instituições totalmente financiadas pelo Estado, como os museus, a Biblioteca Nacional e a Cinemateca Portuguesa, as que dependem do Ministério das Finanças, como os teatros nacionais, e as resultantes de parcerias com o sector privado, que deram origem à criação de fundações como Serralves, Casa da Música e Museu Berardo.
“O Ministério da Cultura continuará a ser o garante da actividade cultural nuclear do país”, assegurou a ministra à Lusa, mas urgiu para “uma reflexão conjunta produtiva que possibilite criar formas alternativas de financiamento” do sector.
“Os cortes de despesa pública nos países europeus demonstram que o Estado social encontrou o seu limite, mas há outras formas de dar segurança ao sector artístico e minimizar a dependência em relação ao Estado”, sustentou.
Questionada sobre o próximo orçamento do Governo para a cultura, Gabriela Canavilhas escusou-se a fazer comentários.
Por seu turno, Michael Kaiser, especialista com experiência mundial em gestão cultural, fez também referência aos cortes que os governos de países europeus como a Itália, Alemanha, França e Reino Unido têm vindo a executar, neste último caso com uma diminuição de cerca de 40 por cento. Kaiser considerou estes cortes “assustadores” e admitiu que “é muito difícil trabalhar na área das artes”.
Porém, sustentou que o sucesso “é possível” através de uma estratégia concertada de planeamento, marketing e angariação de mecenato.
FONTE: Público









