NORMÓTICO SÃO VALENTIM
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NORMÓTICO SÃO VALENTIM
Desenvolvi uma certa aversão aos dias mundiais disto e daquilo. O Natal e a Páscoa, nos moldes em que vêm a ser celebrados, caíram na mesma categoria. Talvez seja pela forte componente comercial que os acompanha e o aproveitamento que destas datas é feito para aumentar o negócio. É sobretudo a irritação que me causa a atitude passiva das pessoas perante a “necessidade imperativa” de corresponderem às sugestões de consumo para demonstrarem que estão vivas, que se importam e que amam.
O Dia de São Valentim, escusado será dizer, tornou-se outra dessas aberrações. É inaguentável a profusão de rosinhas vermelhas, corações escarlates, ursinhos, cupidos e lugares-comum de suposto amor com que uma pessoa é bombardeada. Não há paciência!
Sugiro o seguinte: parem e questionem estas datas. Como apareceram, quem lhes deu origem? Em que lugar? Têm alguma coisa a ver connosco, com as nossas tradições? Admitindo que o tema nos é agradável, o que é que elas actualmente representam para além de uns euros a mais na conta dos comerciantes?
No caso de São Valentim, celebra-se supostamente o amor. Será que no nosso interior criativo não somos capazes de elaborar algo de mais belo, verdadeiro e personalizado para servir ao nosso amor do que aquilo que o comércio nos enfia pelos olhos dentro? Sem calendários pré-estabelecidos, mas nos dias, horas e momentos de vida que mais adequados nos parecerem, de acordo com a nossa saga pessoal.
Amigos, é preciso despertar e criar a nossa realidade de outra forma. A partir de dentro de nós, activamente.
Uma questão de verdade e respeito por nós mesmos e pelo outro.
MARIANA INVERNO, in “Notas Diárias à Sombra dos Tempos”
