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AS EMOÇÕES E O POLITICAMENTE CORRECTO

Calar as emoções e seguir a nossa vida da forma habitual sem as expressar é, com frequência, considerado politicamente correcto. Próprio dos educados, dos evoluídos mesmo.

Considera-se correcto não levantar a voz, não agitar os ares, não causar alterações abruptas numa ordem que se quer sem grandes ondas ou inconveniências para merecer o epíteto de civilizada!

Assim, as emoções e as dores, fechadas à chave nos recônditos do ser, fermentam perigosamente no veneno da sua não expressão e transformam-se em não detectáveis corpos de anti-vida os quais, cedo ou tarde, nos hão-de consumir em silêncio, de dentro para fora, e levar o mais precioso dos nossos bens: a saúde e mesmo a Vida.

Não sou politicamente correcta e sinto a Vida em mim com uma intensidade pouco habitual. Acima de tudo, preciso de a expressar, como indispensável me é o ar que respiro.
Ao contrário do que muito boa e “qualificada” gente proclama, acredito ser de toda a vantagem para o ser verbalizar a panóplia de emoções que o assaltam, desde a alegria à dor, do desapontamento ao medo e mesmo a própria zanga. Isto porque é importante tentar reconhecer o que nos habita, sem coloridos hiperbólicos ou a odiosa máscara de “se ser bom e estar acima do lixo emocional próprio dos fracos”, encará-lo e dar-lhe voz no momento adequado. Desde que não nos descontrolemos ou descarreguemos as nossas emoções de forma inadvertida sobre inocentes terceiros que possam estar no nosso caminho. Desde que cuidemos a linguagem que utilizamos, sem recurso a asneiras ou termos de mau gosto, os quais podem rapidamente acarretar o descontrole.

politicamente-correctoDar expressão ao que nos vai dentro é próprio do ser humano e liberta-nos. Como, de dentro de um quarto abafado,  abrir uma janela de par em par para o ar fresco da manhã.
A verdade é sempre algo relativo, pois cada um detém a sua. A mim cabe-me buscar e dar expressão à minha, apresentando-a em toda a sua inteireza perante o outro.

Ser assim leva-nos muitos “amigos”. Elimina os politicamente correctos, para começar, os dissimulados, os falsos, os oportunistas, os teatreiros e os que se relacionaram com uma projecção mas nunca com o nosso verdadeiro ser. Cabe-nos muitas vezes a culpa de isso ter acontecido, pois o tango, em especial o da vida, é sempre dançado a dois.

Segredos Íntimos Femininos

24 de Setembro de 2011
14:00to19:00
14:00to19:00


Workshop Para Mulheres


Inclui:

Auto Massagem

Auto Maquilhagem

Rituais Diários de Higiene Pessoal

Orientação da Moda Íntima

Detalhes essenciais para aumentar a feminilidade

Ginástica Íntima

Arte de Despir

Banho de Estrelas!

Formadora: Angela Leite

O Workshop terá início às 14h00, prevendo-se que termine por volta das 19h00.

Solicita-se que chegue um pouco antes e traga roupa confortável.

Será servido um lanche leve durante a tarde.

Para facilitar a logística do evento,  a inscrição deverá ser feita antecipadamente e confirmada com depósito de €20.

Contacto para inscrições e/ou informações

Espaço Art for All Tlf      21 484 64 00

Tlm  96 603 96 77

e-mail  artforall@netcabo.pt


A HISTÓRIA DE BLANCA DESISTENTE


duas-mulheres-solidariasSentia vontade de chorar e chorou mesmo, mas não ficou aliviada.

Buscava a palavra essencial, aquela que emergisse depois de tudo se aquietar, após limpar o lixo, calar a estereofonia, sentir-se só, em casa, finalmente nos braços do Silêncio. A palavra capaz de sobreviver à dor finíssima e imperceptível que lhe atravessava o coração como uma lâmina estreita e longa, fria como um iceberg.

Lá fora, nos jardins, cães ladravam furiosamente, numa reclamação magna e sem sentido. Sem sentido parecia aliás tudo, hoje em dia, pois em vez da aguardada palavra de ouro, aflorava apenas um sentido de desolação, muito pouco que lhe restasse em que acreditar.

Ser-lhe-ia fácil contar-se uma outra história se fosse menos rigorosa, mais dada ao auto-engano. Mas se Blanca sentia assim as coisas, as historietas de outrora – as boas, as que têm final feliz, aquelas em que as coisas se resolvem e tudo acaba em luz e em elevação – tinham deixado de fazer sentido. Só podia ajuizar pela sua própria vida, pela límpida intenção que lhe crivara a ponto cruz a alma de sonhos e esboços de voos e o contraste dos desfechos, uns após outros. Os dos sonhos mais íntimos e preciosos, o desaparecimento da crença nos outros que era (quase) o fim da confiança na vida.

Quase, tudo tinha sido sempre quase, mas… não, finalmente. E era isso o que mais lhe custava, pois a dimensão da sua interioridade extravasava-a, num auto-sufoco assassino da vida que lhe restava.

Pensava Blanca em desistir. Podia ficar ou partir, mas o cheiro a desistência empestava-lhe os dias e tisnava de lonjura e vazio os seus grandes olhos que, tudo vendo, já nada viam como antes. Ela sabia que o encanto se perdera, já não acreditava mais que alguém sentisse por ela alguma coisa do que realmente conta, pois também ela deixara de sentir fosse o que fosse. Achava agora que não passara de um ser utilitário para os outros, às vezes uma espécie de milagreira, e que muita ficção tinha corrido à conta disso. Mas mais nada.

Quando chorava – e fazia-o muitas vezes – não chorava por ninguém nem por nada. Descomprimia um pouco e ficava-se depois no eco de alguma coisa que tinha estado para ser mas não fora, alguma coisa já sem rosto, que dela havia descolado num voo sem retorno.

Até Mahler, cuja música sempre a havia inspirado, lhe parecia excessivo agora.

Não faz sentido tanta dor, não é preciso viver se o que nos rodeia é a anti-vida – ecos, ecos e só ecos das mentiras que tomámos como grandes verdades.

Decidiu ir-se. De uma forma muito feminina. Tomou-os muito rapidamente e esgueirou-se como uma nota final, em fuga.

//////

Eu soube da história de Blanca porque acompanhei amigos comuns ao funeral. E o que neles detectei parece desmentir em absoluto o que levou aquela doce mulher a antecipar o fim da sua residência na Terra. Ou talvez seja a minha imaginação criadora a tentar dourar a pílula.

O facto é que se pudesse, mesmo sem a conhecer, teria a tempo abraçado Blanca com toda a minha alma e amado com todas as minhas forças, para que os seus grandes olhos rasos de água voltassem a sorrir.

Sendo as coisas como são, deixo aqui o meu testemunho para que nele se pondere.


MARIANA INVERNO, Notas Diárias à Sombra dos Tempos

A VOZ



a-voz


Desde sempre que a voz humana constituiu para mim uma referência valiosa sobre o outro. Não que pensasse nisso ou decidisse à partida que tinha de a avaliar para saber quem estava à minha frente. Aconteceu sempre, de forma espontânea.




Sem que o espere, a voz do outro abre-me o coração, irrita-me, devassa-me ou reverencia-me, conquista-me, indispõe-me, cansa-me, tranquiliza-me, arranha-me o ouvido, acaricia-me ou agride-me. Num segundo, apresenta-se-me no outro, através da voz, o aliado, o inimigo, o cúmplice, o ser doente ou mal amado, o agressor, o fraco, o perdido, o invejoso, o falso. Como me pode tocar a inconfundível  chispa do amor, da criatividade, da força, do estímulo, da autoridade e da ternura em disponibilidade. Por mais que, por vezes, as palavras emitidas pareçam dizer algo de diferente.

Ao tomar consciência destes factos, passei a reflectir sobre a voz, esse primordial instrumento de comunicação, sine qua non, resultado a nível físico de um trabalho conjunto dos sistemas respiratório, digestivo e nervoso, dos músculos e até da arquitectura do esqueleto. A voz é som, vibra no ar, de uns para os outros,  montada na sua intensidade, inflexão e altura. Na forma como as palavras são articuladas.
Sinto, porém, que há muito mais por revelar. Como em tantas outras áreas, acho que também no caso da voz, misteriosos véus de olvido barram a nossa memória no que se refere ao seu grande poder – intimamente associado ao que cada um é, em essência – e à sua capacidade interpretativa e de comunicar o estádio em que, momento a momento, nos encontramos na manifestação.

Cada voz desdobra-se em mil vozes, múltiplas e opcionais, que aguardam ser redescobertas e reintegradas na nossa consciência, como valiosos indicadores acerca de quem nos rodeia.
De forma paradoxal, destaca-se de entre todas a voz do silêncio, uma das mais poderosas, pela sua capacidade de por vezes curar o próprio, punir o outro, consentir na injustiça por omissão e sobrepor-se à compadecida e cálida voz do coração.

Assim, amigos, nem sempre o silêncio é de oiro!


Mariana Inverno in Notas diárias à sombra dos tempos

Grupo de Bioenergética

6 de Setembro de 2011
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20 de Setembro de 2011
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27 de Setembro de 2011
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18 de Outubro de 2011
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25 de Outubro de 2011
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15 de Novembro de 2011
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29 de Novembro de 2011
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6 de Dezembro de 2011
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20 de Dezembro de 2011
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7 de Fevereiro de 2012
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21 de Fevereiro de 2012
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bioenergetica-aulas1.2


GRUPO DE BIOENERGÉTICA com MICHELLE DAYA

Quando?

De 15 em 15 dias, às Terças-feiras, às 19h30.

Onde?

Espaço Art for All

Av. Costa Pinto 91, 1º Dto

Cascais



Contactos: Tlf 21 484 64 00   ou Tlm 96 603 96 77



Todos os participantes deverão trazer roupa confortável e meias.

Obrigada e até Breve!


No Corpo do Sopro

Com quem se relaciona o outro, em mim? Com a minha aparência física, com as palavras que digo?

Com as construções que vou deixando pelo caminho, com a minha conta bancária?

Com o que sou ou com o que pareço ser? Com o meu passado, com o meu futuro?

Em que precários e transitórios pilares assenta a dança entre os seres, que fantasiosas invenções assistem os grandes envolvimentos, uniões, amores, acordos, amizades e o seus opostos, toda a trama a que chamamos vida?

Em que é que devo acreditar? No abraço ou na rejeição, os papéis confundem-se, há com frequência trágicas nuances de ilusão naquilo em que acreditamos, prosseguimos, no empenho que colocamos no que nos parece acima, para além de, mais importante que tudo.

Chega depois a interrogação fulcral, num crescendo, por vezes ardente ferro em brasa, latejante e febril lá nos fundos da gente. Quem sou eu? O que sou eu? Para quê, eu? Por quê, eu? Eu não sou o medo e eu não sou a cólera, não sou nem a filha de, nem a mãe de, não sou a esposa, nem a chefe, não o ser que entra e sai de cena, não a ganhadora, não aquela que perde…

O nível da minha verdadeira existência alinha-se com o corpo de um sopro, uma ampla liberdade inexpressável, doçura antiquíssima, infinita como um golpe de asa branca. Algo que vive no alinhamento cósmico, alguma coisa eterna, inquebrável, um canto sem voz mas gloriosamente escutado no dentro de todas as coisas vivas.

Quanto mais me posso aproximar, no verbo, daquilo que sinto que sou? E se o sou, a que nível é que esse ser acontece, como e quando se expressa, quem ou o que é que despoleta a sua manifestação?

Ponho e tiro máscaras. As máscaras funcionam para o consenso, não desafiam em demasiado a norma. Escudos, barreiras, diques protectores daquilo que eu não sei dizer, aquilo que respira e pulsa como um coração de cristal, insustentável na aparência porém sobreposto ao espaço e ao tempo, eu sinto. As máscaras cobrem, abafam o coração cristalino, aquele que se não pode e se não sabe expôr.

Eu queria, eu queria ser só o que sou para não mais aparentar ser o que não sou. Mas os sóis e as luas do infinito cosmos continuam a cruzar-se nas suas danças elípticas, avançam hipóteses, contrariam planos. Tudo com certeza pleno de significado e de intento. Eu, contudo, sou apenas uma consciência em expansão, pequena glosa de um todo que não abarco, inábil transportadora de indelével memória, força, registo.

Desço agora ao roseiral para ver se me sinto, se me agarro, antes que a noite baixe e já não possa mirar as rosas…


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Mariana Inverno

in “Notas diárias à sombra dos tempos”










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Ciência Viva no Verão


Lançado em Julho de 1996, a Ciência Viva tem como missão a promoção da cultura científica e tecnológica junto da população portuguesa.


Descubra aqui o PROGRAMA CIÊNCIA VIVA NO VERÃO 2011


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Entre no site e descubra todas as actividades e recursos que o Projecto Ciência Viva tem ao seu dispor…

Sono interrompido prejudica a memória

Estudo pode ajudar pessoas com doença de Alzheimer e apneia nocturna.

sonoA investigação liderada por investigadores da Universidade de Stanford (EUA) e publicado na“Proceedings of the National Academy of Science” (PNAS) baseou-se em testes realizados em ratos que permitiram verificar que perturbar o sono – que foi fragmentado, mas não menor ou menos intenso do que o normal – tornou mais difícil para os animais reconhecerem objectos familiares.

Enquanto dormiam, os investigadores enviaram feixes de luz directamente ao cérebro dos roedores, o que perturbava o sono, mas não afectava o tempo total ou a qualidade de sono.

Os animais foram colocados numa caixa com dois objectos, um dos quais já era seu conhecido. Embora, naturalmente, as cobaias passassem mais tempo a observar o novo objecto e as que tinham o sono ininterrupto tivessem feito exactamente isso,  aquelas cujo sono foi interrompido estavam igualmente interessadas em ambos os objectos, sugerindo que as memórias tinham sido afectadas.


A continuidade do sono é, de acordo com os cientistas, um dos principais factores afectados em várias doenças que atingem a memória, incluindo o Alzheimer e outros deficits cognitivos relacionados com a idade. O sono interrompido também afecta as pessoas viciadas em álcool e as que sofrem de apneia do sono.

Segundo os cientistas, apesar de não existirem provas de causalidade entre a interrupção do sono e qualquer uma dessas doenças, “uma quantidade mínima de sono ininterrupto é crucial para a consolidação da memória”.