Salavisa: E, no entanto, ele dança
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Marco Martins queria pô-lo a dançar. Sabia que para olhar para os 50 anos de carreira de Jorge Salavisa teria de mergulhar em muitas horas de imagens de arquivo, mas tinha esperança de encontrar algumas em que o homem que dirigiu o Ballet Gulbenkian e a Companhia Nacional de Bailado se revelasse o bailarino que foi durante tantos anos, 18 dos quais fora de Portugal.
A tarefa acabou por ser mais difícil do que o realizador estava à espera, mas o documentário que estreia hoje às 21h no Teatro Municipal S. Luiz, em Lisboa, a casa de Salavisa entre 2002 e 2010, mostra-nos mesmo como ele dançava. “Aquela sequência do “Othello” [Salavisa como Yago numa produção do New London Ballet] é uma prenda para o espectador”, diz ao PÚBLICO Marco Martins.
Não é de estranhar que o realizador de 39 anos nunca o tivesse visto dançar. Aos 71, foi também a primeira vez para o próprio Salavisa: “O Marco mostrou-me aquelas imagens, que me deixaram muito assustado, e pus-me a pensar: “Foi preciso chegar aos 70 anos para ver isto.” É que nesta altura em que qualquer um filma com o telemóvel, as pessoas têm dificuldade em imaginar uma época em que não havia vídeo e só as televisões filmavam a dança e o teatro que se fazia. Eu tinha visto uma ou outra cena em que eu aparecia, mas só por instantes. A dançar, assim, nunca tinha visto.”
“Jorge Salavisa – Keep Going” (Filmes do Tejo em co-produção com a RTP2, a Gulbenkian e a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural da Câmara de Lisboa, a EGEAC) é um documentário de uma hora em que Marco Martins traça a carreira do antigo bailarino e director artístico, recorrendo a arquivos em Lisboa, Londres, Paris e Hong Kong. A narrativa é cronológica, autobiográfica (na primeira parte essencialmente em voz off, a do próprio Salavisa), e fez-se com base em memórias pessoais e em três entrevistas formais feitas pelo realizador…
FONTE : Público
