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RESPIRAÇÃO PERSISTENTE

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RESPIRAÇÃO PERSISTENTE
hoje despertei insana e contemplei com olhos novos os objectos ouro e prata, as flores quase asfixiadas no apartamento londrino, elas que aspiram aos céus e ao azul e ao ar fresco dos céus que reflectem…
o pouco sentido da repetição diária e a minha alma a empurrar docemente este veículo treinado para a vida de superfície, a minha alma a segredar, inaudíveis as vozes antigas, as futuras, pré-murmúrios de grandes revelações – acho eu que não desisto…
entro na onda do dia e mantenho-me paralela a mim mesma sem saber, pobre criança, como fazer da maneira que a alma queria que eu fizesse, tudo questionado e efémero salvo aquilo que não logro tocar mas que me dá sentido, valor, aquilo que canta que sonha que emerge uma vez e outra, sempre, como o dia, como a noite, como a lua e o sol e esta respiração persistente que me confirma…
se houvesse fios mais visíveis, pistas esclarecedores a alumiar o caminho – dizem ser antigo, tanto como a memória perdida – poderia para mim, quem sabe, acender-se a luz interna das coisas e saberia melhor a fonte do choro e do riso, sombras transmutadas…
poderia, quem sabe, ler nos interstícios, nas brechas, nos vazios, alcançaria a vastidão imensa de quem sou e nela beberia a seiva do infinito pela qual me consumo…


hoje despertei insana e contemplei com olhos novos os objectos ouro e prata, as flores quase asfixiadas no apartamento londrino, elas que aspiram aos céus e ao azul e ao ar fresco dos céus que reflectem…

o pouco sentido da repetição diária e a minha alma a empurrar docemente este veículo treinado para a vida de superfície, a minha alma a segredar, inaudíveis as vozes antigas, as futuras, pré-murmúrios de grandes revelações – acho eu que não desisto…

entro na onda do dia e mantenho-me paralela a mim mesma sem saber, pobre criança, como fazer da maneira que a alma queria que eu fizesse, tudo questionado e efémero salvo aquilo que não logro tocar mas que me dá sentido, valor, aquilo que canta que sonha que emerge uma vez e outra, sempre, como o dia, como a noite, como a lua e o sol e esta respiração persistente que me confirma…

se houvesse fios mais visíveis, pistas esclarecedores a alumiar o caminho – dizem ser antigo, tanto como a memória perdida – poderia para mim, quem sabe, acender-se a luz interna das coisas e saberia melhor a fonte do choro e do riso, sombras transmutadas…

poderia, quem sabe, ler nos interstícios, nas brechas, nos vazios, alcançaria a vastidão imensa de quem sou e nela beberia a seiva do infinito pela qual me consumo…



Mariana Inverno in “Notas Diárias à Sombra dos Tempos”

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