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Museu Nacional do Azulejo
Publicado: 2012.02.01
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Museu Nacional do Azulejo
O Museu Nacional do Azulejo situa-se no Convento da Madre de Deus, que data de 1509. Da estrutura original apenas o claustro do piso inferior e a sala Árabe chegaram aos dias de hoje. A igreja está coberta com ricos trabalhos ornamentais Barrocos de pinturas, talha e azulejos oferecidos pelo patrocínio régio.
A colecção, que descreve praticamente toda a história do azulejo em Portugal, inclui azulejos da segunda metade do séc. XV e artefactos contemporâneos já feitos com novas tecnologias. Os pontos fortes deste museu são o retábulo maneirista de Nossa Senhora da Vida e o painel de Lisboa, com 23 metros de comprimento, que representa a cidade antes do terramoto de 1755.
Está aberto de Terça a Domingo, mas fecha em alguns feriados nacionais.
MNAzulejo
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UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA
Publicado: 2012.01.17
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“Como figura internacional tenho a mesma eleição que a revista TIME: o protesto, precisamente porque ele vem nos antípodas do que eu acho que está a passar-se em Portugal, que é a diminuição intelectual de todos nós. [...] Quando o ministro Relvas [...] toma decisões unilaterais sobre coisas tão importantes como o serviço público sem que haja um único protesto cívico [...] isto é o fim da democracia [...]. É a aceitação de tudo; “nós já tomamos a decisão por vocês”. Ora isto cheira-me a quê? Eu já vivi no sistema antigo em que as pessoas tomavam a decisão por mim e me diziam o que é que eu devia fazer; nisto sou mais liberal que o Governo. E portanto, o protesto é para mim muito importante: Occupy Wall Street, o protesto árabe, totalmente inesperado [...]. E como quem já leu história, quem continua a ler história, coisa que estes governantes não fizeram, sabem que o inesperado acontece. E mais: sabem que quem comanda a História, de um modo kitsch ou não, como dizia o Kundera, são as massas, e o mundo vai mudar.”
Clara Ferreira Alves no Eixo do Mal, SIC Notícias (25/12/2011)
Estou em muito de acordo com Clara Ferreira Alves. Mas acho que há muitas coisas que comandam a história. Depende do local onde a história acontece. Depende do povo a quem ela acontece. Depende sempre e sobretudo do grau de desespero económico a que os povos chegam.
De facto, este governo tem uma escassa margem de manobra. Pequena economia satélite, há muito gerida pela histórica incompetência dos seus governantes e a inércia dos governados, a Lusitana Pátria perdeu tudo quanto possa cheirar a soberania, intervencionada por gigantes que não estão aqui a fazer caridade e que dão as ordens mais conducentes à boa saúde dos seus empréstimos. A Lusitana Pátria parece destinada a um futuro sem esperança, sobretudo, atrevo-me a dizer, pela falta de consciência e de coragem do seu povo. Refiro-me é claro à consciência de quem se é, donde se vem e do potencial de transformação da realidade quando nos atrevemos a lançar um olhar renovado e objectivo sobre o que nos acontece, as razões porque acontece e a forma como estamos ou não equipados para reconduzir Portugal ao trilho do seu verdadeiro destino.
Isto pressupõe que as pessoas conheçam a sua história passada, tenham mergulhado nos seus mitos e tradições, saibam identificar e reconhecer correctamente as falhas do passado e trabalhem todos os dias no reconhecimento da alma secreta do seu berço, a entidade a que chamamos o nosso país.
As raízes espirituais de um povo e o seu imaginário fornecem pistas valiosas para a salvação. Tal como em épocas intensas de dor e dificuldades, a pessoa humana tende a refugiar-se na família, se amorosa e compassiva e de genes afins, também um povo em crise deve buscar nas suas fundações, nos sinais indicadores do seu destino espiritual, a orientação necessária para recuperar o equilíbrio e a harmonia.
Portugal tem vivido desde há muito claramente apartado do seu espírito maior. Esquecido de que é essencialmente místico e rural, navegador e poeta, o país tem tentado ser antes estrangeiro, quem diz americano diz europeu, depende das épocas, Portugal fixou-se no Ter (ter casa, ter carro, ter férias em Havana ou Londres, ter mais e melhor) quando Portugal é um Ente do SER.
Não sei o que vai acontecer, porque não tenho bola de cristal e mais a mais o futuro é um plasma em constante movimentação. É previsível que haja mais greves, revoltas, mais violência e dor. Tudo em vão, nada valerá a pena pois passou o tempo histórico (e cósmico) em que isso podia levar à melhoria das condições de vida dos povos.
O tempo é outro, pede-nos medidas que surjam da nossa interioridade, que façam sentido à luz de quem somos intrinsecamente. Pede-nos recolhimento e readaptação à terra e ao mar e a consciência de que a estatura de um povo mede-se pelo seu canto, nunca pela capacidade de ter.
As vozes de Camões, Natália, Pessoa, Sophia, Jorge de Sena, Florbela e Alegre entre tantos outros, ecoam na minha alma e chamam-me à obra.
A minha, sobretudo pela palavra.
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Lisboa – Elevador de Santa Justa
Publicado: 2012.01.15
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Do topo do elevador, inaugurado em 1902, descobre-se toda a Baixa lisboeta e o Castelo de São Jorge. Situado em pleno coração pombalino da cidade de Lisboa, o Elevador de Santa Justa é um verdadeiro ex-líbris da capital portuguesa, tornando-se visita obrigatória para qualquer turista que se desloque a Portugal.
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O Elevador de Santa Justa é um transporte público da era da arquitectura do ferro, subindo da Rua de Santa Justa, na Baixa, ao Largo do Carmo, sendo actualmente o único ascensor vertical na cidade, desde que, em 1915, desapareceu o da Biblioteca. A sua construção foi licenciada em 6 de Julho de 1899, com o projecto pioneiro a cargo do engenheiro francês R. Mesnier du Ponsard, ficando a obra a cargo da empresa Elevadores do Carmo.
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O vistoso elevador de Santa Justa tem uma estrutura em ferro constituída por viaduto metálico de 25 metros, apoiado ao meio num pilar de betão armado e, num dos extremos, numa torre metálica de 45 metros de altura. É fácil, assim, perceber a emoção que se sente durante os escassos minutos da lenta viagem, rumo aos céus. Mas quando se sai, quando as portas se abrem e o vento fresco acaricia a cara, é um mar de beleza que temos pela frente.
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Mundos Paralelos
Publicado: 2012.01.10
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Diz-se que outras eu vivem, em mundos paralelos, desenvolvimentos diferentes da minha história.
Outras eu sofrem na pele o que me foi poupado, conhecem alegrias que eu não toco, derramam no papel as palavras para que não tenho tempo, comem o pão que o diabo amassou, amam são amadas corpo alma tudo.
Simultâneas, concomitantes, complementares, alheias, partes de um todo, vivemos em paralelo e à revelia umas das outras, misteriosos pedaços de um só ente plasmado no coração do universo.
Talvez que as outras eu sejam só a fantasia de mim mesma, como eu delas o sou, todas apostadas num esclarecimento que não chega e na libertação.
Se nos encontrássemos todas, cada uma acorrentada ao seu rosário de chagas e imperfeições, cada uma prisioneira do seu choro soberana do seu canto, se essa convergência de mundos ocorresse talvez pudessemos por fim vislumbrar a verdadeira face da Deusa e relembrar quem em verdade somos e ao que vimos, nesta parte do todo por onde hoje navegamos.
Diz-se que ninguém vive sózinho. Coexistimos uns com os outros aqui, com as almas afins e com as outras, mas sobretudo com as alternativas partes de nós mesmos, que noutros mundos vivem o nosso inviável de hoje, exploram os caminhos que se nos fecharam aqui ou registam pela dor os contornos da sombra que escolhemos ignorar.
Coexistimos na saudade do ser inteiro para o qual as personas são só máscaras, efémeros instrumentos de afirmação de um ego em geral doente, preso da absurda ilusão da superioridade.
Relembrar, trazer de volta os acessos, reconstruir as pontes com o invisível, saber, mas saber deveras, que percepcionar a vida apenas pelos cinco sentidos nos arredou há milhares de anos de quem verdadeiramente somos.
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Parábolas
Publicado: 2012.01.03
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Com palavras amo, escreveu o poeta. Com palavras canto, danço fantásticos passos de criação, encontro as matizes secretas das coisas, apalpo ao de leve o pulsar profundo da vida. Com palavras subo à nota mais vibrante da oração, rasgo janelas sobre mundos esquivos, apaziguo as minhas ânsias e dou rosto ao indizível, por momentos deusa efémera do Verbo.
Escritas como se de fonte eterna elas brotassem, as palavras esculpem as minhas horas e aí deixam o rastro do choro ou do êxtase, soluçantes e mágicas, testemunho da passagem.
Com palavras me descubro e me revejo, sem saber que sou aquilo que as palavras me dizem que eu sou. Com palavras amo, sim, e com palavras mato. Exorciso, exerço a tentadora prática da sedução, reponho a verdade e construo a mentira da ilusão. As palavras doces, as intensas, as profundas, as orgásticas. As duras, certeiramente mortais, as ditas palavras de agape e de luz bem como as suas sombrias companheiras do desamor.
Com palavras incito, inspiro, embelezo, castigo, reduzo a cinzas, faço os meus lutos, apoio o outro, lanço no ar perfumes de coisas por saber ou relembrar, invento eternidades no que já passou ou nunca foi. Com palavras sou maior, sou mais eu e deixo de ser quem sou pois elas transcendem os meus limites conhecidos, ponte entre mim e Eu e mais alguma coisa que não sei o que é mas que vibra em contínuo, inalcançável quase sempre na latência dos dias.
Faço tantas coisas com palavras, refaço-me a mim e, de cada vez, abrem-se inesperadas brechas para o que eu já era sem o saber. Com palavras eu descubro outras palavras dentro delas, mundos, intermundos, sinapses de um todo incompreensível, estonteante.
Serão parábolas, afinal, formas de me representar e ao fogo que me anima, instrumentos de construção/destruição, assentes num núcleo mórfico e periferias dançantes, laços precários com a eternidade.
Com palavras escrevo, respiro. Não sei o que são, donde vêm, mas habitam-me, poderosamente emotivas e transformadoras e nelas me celebro, no fugaz instante que passa.
Com palavras amo, escreveu o poeta. Com palavras canto, danço fantásticos passos de criação, encontro as matizes secretas das coisas, apalpo ao de leve o pulsar profundo da vida. Com palavras subo à nota mais vibrante da oração, rasgo janelas sobre mundos esquivos, apaziguo as minhas ânsias e dou rosto ao indizível, por momentos deusa efémera do Verbo.
Escritas como se de fonte eterna elas brotassem, as palavras esculpem as minhas horas e aí deixam o rastro do choro ou do êxtase, soluçantes e mágicas, testemunho da passagem.
Com palavras me descubro e me revejo, sem saber que sou aquilo que as palavras me dizem que eu sou. Com palavras amo, sim, e com palavras mato. Exorciso, exerço a tentadora prática da sedução, reponho a verdade e construo a mentira da ilusão. As palavras doces, as intensas, as profundas, as orgásticas. As duras, certeiramente mortais, as ditas palavras de agape e de luz bem como as suas sombrias companheiras do desamor.
Com palavras incito, inspiro, embelezo, castigo, reduzo a cinzas, faço os meus lutos, apoio o outro, lanço no ar perfumes de coisas por saber ou relembrar, invento eternidades no que já passou ou nunca foi. Com palavras sou maior, sou mais eu e deixo de ser quem sou pois elas transcendem os meus limites conhecidos, ponte entre mim e Eu e mais alguma coisa que não sei o que é mas que vibra em contínuo, inalcançável quase sempre na latência dos dias.
Faço tantas coisas com palavras, refaço-me a mim e, de cada vez, abrem-se inesperadas brechas para o que eu já era sem o saber. Com palavras eu descubro outras palavras dentro delas, mundos, intermundos, sinapses de um todo incompreensível, estonteante.
Serão parábolas, afinal, formas de me representar e ao fogo que me anima, instrumentos de construção/destruição, assentes num núcleo mórfico e periferias dançantes, laços precários com a eternidade.
Com palavras escrevo, respiro. Não sei o que são, donde vêm, mas habitam-me, poderosamente emotivas e transformadoras e nelas me celebro, no fugaz instante que passa.
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Centro Cultural de Belém
Publicado: 2012.01.01
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CENTRO CULTURAL DE BELÉM
O Centro Cultural de Belém conta com quatro áreas de exposições e com o Museu de Design que, por sua vez, apresenta exposições nas áreas das artes plásticas, arquitectura, design e fotografia.
Inaugurado em 1999, o Museu do Design abriu com uma mostra de 200 peças, ordenadas cronologicamente, o que permite ao visitante ter percepção da evolução do conceito de design ao longo do século XX. A colecção, também conhecida como Colecção Francisco Capelo, está dividida em três áreas temáticas: luxury, pop e cool.
A primeira parte da exposição é dedicada a objectos originários de França e Itália, a segunda reflecte a era pós-guerra e a terceira surgiu durante a reconstrução da Europa, depois do fim das hostilidades.
O Centro Cultural está aberto todos os dias, excepto a 25 de Dezembro.
O Centro Cultural de Belém conta com quatro áreas de exposições e com o Museu de Design que, por sua vez, apresenta exposições nas áreas das artes plásticas, arquitectura, design e fotografia.
Inaugurado em 1999, o Museu do Design abriu com uma mostra de 200 peças, ordenadas cronologicamente, o que permite ao visitante ter percepção da evolução do conceito de design ao longo do século XX. A colecção, também conhecida como Colecção Francisco Capelo, está dividida em três áreas temáticas: luxury, pop e cool.
A primeira parte da exposição é dedicada a objectos originários de França e Itália, a segunda reflecte a era pós-guerra e a terceira surgiu durante a reconstrução da Europa, depois do fim das hostilidades.
O Centro Cultural está aberto todos os dias, excepto a 25 de Dezembro.
CCB
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Rio Acima
Publicado: 2011.12.27
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O que está a acontecer agora?
Multiplicaram-se as coisas para fazer, as solicitações, as dificuldades, o trabalho e os deveres a crescerem brutalmente nos dias da minha vida e este cansaço imenso dentro do meu corpo, a mente a querer soltar-se, a alma tão desejosa de promover as pontes para uma outra coisa, vibração mais alta, diferente…
Se estou entre o Céu e a Terra, o facto é que me sinto a caminhar quase sem descanso por uma estrada aparentemente impeditiva do meu passo, escolhos e esboços de ligações precárias por todos os lados, as coisas a partirem-se, a ajustarem-se, tudo quase, ao milímetro, o sufoco de quem sabe que tem de aguentar, tem de conseguir passar pela porta estreita, que há no profundo da Vida um Oriente para onde os corpos se querem voltar…
Tudo tão relativo, o caminho fez-se para agora ser reconhecido como ilusão, assim que foi importante tudo quanto empreendi, quanto me trouxe até aqui, a este ponto do entrecruzar de forças que me puxam em todas as direcções, mil tentáculos agentes da minha prova-límite, nesta etapa.
Há que escrever tudo de novo, a palavra purificada pelo ouro solar, o encantamento a querer ressurgir numa inocência agora sábia (haverá outra?).
Não fica pedra sobre pedra, pó sobre pó, embora tudo continue lá, na vida de superfície. Sei que busco o Grande Horizonte, os Grandes Mistérios, a Divindade dentro de mim. Não obstante as grades, abismos, tabiques, densidade sufocante, espessos véus encobridores da luz, abro-me sem dúvidas a um Gigante no profundo do Ser.
Já nada é facilmente adjectivável, talvez que a própria qualificação pela palavra já tenha vivido o seu próprio tempo de ilusão e agora tenhamos de a depurar de artificialismos românticos e vãos. Aos poucos, pequenos mas definitivos os passos na auto-escuta.
Prossigo. Titubeante ainda mas tão segura de que por detrás de mim vivo Eu e só a voz desse Eu me saberá guiar rio acima.
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MENSAGEM DE NATAL 2011
Publicado: 2011.12.21
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MENTES FOSSILIZADAS
Publicado: 2011.12.20
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Se há área que me seduza e alimente em mim a esperança num futuro mais equilibrado e justo, essa é a da educação. Pelo muito trabalho a fazer, pela perspectiva que urge mudar, por ser a educação aquilo que deixa no ser humano marcas e referências incontornáveis e determina, pela vida fora, a qualidade da sua caminhada na Terra.
É por demais óbvio que os programas educacionais implementados pela ordem vigente e a vida que levamos contribuem para fossilizar as mentes pois ênfase profundo é colocado numa formatação densa e normótica desde os primeiros anos da vida, em completa obliteração da liberdade e leveza originais com que a encarnação começa por se manifestar no planeta.
A agilidade mental necessária ao questionamento da vida e das situações bem como ao brotar de respostas criativas fica comprometida desde cedo através de programas que não deixam qualquer margem de manobra para aquela. A função central da educação deveria ser o despertar o ser humano para o seu propósito maior na Terra, para a especificidade da sua essência nele dormentes. Cada ser humano traz consigo um imenso potencial criativo – idealmente a explorar de forma única – e caberia aos educadores e à sociedade em geral estimular a descoberta desse vasto e diversificado repositório de talentos e qualidades particulares de cada ser, o qual representa afinal o grande legado da espécie humana terrestre.
Ora, nas sociedades actuais, em que por um lado programas educacionais medíocres, cada vez mais debelados de profundidade, são impostos aos educandos como metas-padrão para que lhes sejam passados atestados de qualificação profissional e por outro a vida social se passa entre o shopping centre, a aberrrante televisão e os jogos de computador, não se podem esperar resultados por aí além. A grande maioria dos jovens torna-se flor murcha à partida, fossilizados pela educação num comportamento robótico, incapazes de articular o pensamento para além de um modesto léxico de 3.500 palavras que, por vezes, nem soletrar de forma correcta conseguem. Como se o espírito, silenciado por essa castrante formatação, se tivesse distanciado do seu portador, não possibilitando assim uma mais genuina manifestação.
Dói-me, dói-me muito. Vejo a miséria da submissão, o adormecimento da luz interior, a estupidificação, a vulgaridade. O planeta está povoado de seres manipuláveis, os escravos modernos, exactamente as peças necessárias ao enfraquecimento do único factor que pode salvar a humanidade: o poder criativo. Aquele que cria dispõe de estruturas internas arejadas, sabe escutar, olhar. Prescruta, investiga, canta, põe em causa, abre-se a novas perspectivas, aponta sempre para mais alto, como o solitário pássaro de San Juan de la Cruz. O criativo sabe estabelecer de forma intuitiva novas conexões com os elementos conhecidos e, sobretudo, com os apenas pressentidos. À mente afloram-lhe com naturalidade combinações únicas, frequentemente geradoras de novos caminhos, mais justos e promissores. A criação verdadeira é sempre bela e comovente! Combustível da Esperança, ela é no fundo a única verdadeira riqueza que podemos deixar aos nossos descendentes.
Toda esta problemática levanta complexas questões relacionadas com a educação das nossas crianças e os padrões da vida que levamos e lhes impomos como referência. Parece-me urgente que resgatemos dentro de nós os valores dos afectos, da ligação à mãe natureza e aos animais, nossos companheiros na Terra, os nobres valores da consciência social e do empreendorismo responsável nas diferentes áreas da existência humana. Que reencontremos a coragem de questionar a qualidade da vida que nos foi sendo imposta e que, quase inconscientemente, deixámos que fosse minando todas as horas dos nossos dias.
Grandes mudanças são necessárias, mas não nos podemos amedrontar pela gigantesca tarefa que se vislumbra. Há que começar por algum lado e, no fundo, pode ser mais simples do que parece.
Paro. Escuto. Olho.Quem sou? Este ser de superfície, moldado por forças alienadas, que se debate por manter o pescoço fora de água, ou algo que nas profundezas de mim mesmo espera a hora da sua expressão? Ao que venho? O que é que me faz feliz?O que é que permanece em mim, quando o ruído esmorece e as luzes se apagam?Diante de quê é que o meu coração canta?Por onde anda a luz dos meus sonhos, o que é que dorme latente, esquecido em mim, como posso purificar-me ao ponto de expressar em mim o máximo de energia do que realmente sou?
A optimização do ser terá de constituir o fulcro central da educação. Passa pelo amor, pelo respeito e pela dádiva contínua, passa por uma inequívoca ambição espiritual e por muito trabalho realizado incansavelmente na Alegria maior da consciência em expansão.
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A HORA DA DISSIDÊNCIA
Publicado: 2011.12.13
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Ando pelas artes, a escrita, essas coisas ditas da cultura contra as quais sopram hoje em dia ventos contrários. Nunca foi fácil, mas agora ergue-se com inesperado vigor o negro e barrento muro da situação económica como pretexto para todos os cortes.
Ser culto qualquer dia é capaz de passar a condição subversiva (lembram-se de “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury?), a ficção anuncia frequentemente o que há-de vir, uma forma “soft” de nos preparar para o inesperado. Percorre-me um calafrio quando imagino uma sociedade ainda mais ignorante e normótica do que a actual, onde artigos como este poriam de imediato fim à minha vida.
O que é que nós aprendemos, companheiros, neste grão de poeira suspenso no cosmos que é a Terra? Como é que continuamos a consentir que meia dúzia de seres alienados ditem o nosso caminho e a qualidade da nossa vida na Terra?
Não avalizo guerras de nenhum tipo, mas falo de um levantamento interior, determinado e lúcido, em prol do alargamento de horizontes e da expansão da consciência. Um assumir de que albergamos dentro de nós uma soberania esquecida, a luminosa capacidade de recriar a partir dos escombros e das cinzas.
O Espírito nunca se rende. E só com ele podemos em verdade contar para escapar ao destino da fénix que, embora sempre renascida, parece nada aprender pois continua a fazer os mesmos erros que levam à sua destruição cíclica.
As respostas não estão com certeza nos lugares habituais. Historicamente falando, claro. Há que redescobrir a coragem e a tenacidade e subir uma oitava no canto interior. Há que relembrar os conselhos dos poetas, que pelo sonho é que vamos e que se faz caminho ao andar. Se nos queimarem todos os livros, ainda teremos a nossa memória para guardar as palavras. Somos muitos e, como no romance de Bradbury, se cada um de nós memorizar um livro, o conhecimento não se perderá pois resta-nos a partilha que a todos enriquece.
Chegou a hora de pormos fim às guerras e aos conflitos, à separatividade. É a hora da verdadeira Dissidência, o começo do fim das ilusórias diferenças que nos conduziram à insanidade dos dias actuais.
Temos de reaprender a chamar as coisas pelo seu nome pois este é um tempo revelador o qual, malgré nous, tudo traz à superfície. Nem nada nem ninguém podem impedir o cair dos véus pois há um tempo certo para tudo. Este é o de abrir o coração e deixar o Espírito impulsionar os actos, por mais absurdos que eles nos pareçam.
Amén.
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