Tudo, ou quase tudo, nas nossas decadentes sociedades se prende com a falta de dimensão espiritual do acto humano, hoje em dia. Descemos ao fundo do poço e o ser incarnado chafurda na lama que se permitiu criar. Essa lama é servida e alimentada primordialmente por uma consciência espartilhada pela mente enferma, ruidosa, dividida, desatenta, distraída pela obsessão, esquecida de questionar os pratos “junk food” que a sociedade lhe põe constantemente debaixo do nariz. É o preço de se ter escolhido Mammon como deus reinante.
Tudo nas nossas vidas parece estar condicionado pelo dinheiro e, na aposta pelo seu ganho (o mais facilmente possível, utilizando qualquer meio) nos fomos esquecendo da nossa essência e atropelando tudo e todos à nossa volta.
A pseudo-arte que esta sociedade promove, com raríssimas excepções, reflecte tudo isto. A Beleza é um instrumento do Sagrado, não é possível reflecti-la quando o ser humano se movimenta num registo vibracional muito baixo, que é o caso geral hoje em dia. E a arte não pode vir ditada de fora para dentro, sujeita a interesses, modismos ou à sinistra actuação de lobbies.
A arte tem de irromper, como um luminoso jorro de luz, de dentro da alma!
MARIANA INVERNO
O Fórum Gulbenkian de Saúde 2010, dedicado à Saúde Mental, tem início este mês de Fevereiro, dia 25, e é comissariado pelo psiquiatra José Miguel Caldas de Almeida – também Coordenador Nacional para a Saúde Mental.
O «Mind Faces – As Diferentes Faces da Saúde Mental» engloba um programa de actividades que cruza a vertente científica com a artística, contando para isso com a colaboração do Centro de Arte Moderna e do Programa Gulbenkian Educação para a Cultura.
Assim, de Fevereiro a Novembro, decorrerá na Fundação Gulbenkian um conjunto de iniciativas dedicado a questões de Saúde Mental, que inclui colóquios, exposições, conferências, um ciclo de cinema e a projecção de um documentário inédito sobre João dos Santos, para além de outros eventos-satélite.
“A percepção da importância da saúde mental mudou radicalmente na última década, graças a estudos epidemiológicos que comprovaram uma coisa que já sabíamos: as doenças mentais são bastante frequentes, e algumas têm uma prevalência elevada”, afirmou o comissário do fórum. E é neste contexto global, em que “as doenças mentais têm um impacto negativo, nas pessoas e na sociedade, muito superior ao que se pensava antigamente”, que surge o «Mind Faces».
A sessão de abertura, que começa às 9h30, contará com a presença de Emílio Rui Vilar, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, administradora da mesma instituição, e da ministra da Saúde Ana Jorge.
Colóquio, exposições, projecções
Paralelamente, arrancam o programa científico com o colóquio «Saúde Mental e Ciência: Novas Contribuições», onde especialistas nacionais e internacionais irão discutir, ao longo do dia, as principais contribuições da ciência para a compreensão da influência destes diferentes factores na etiologia e evolução das doenças mentais.
Ainda no dia 25, será inaugurada a exposição «O Diário de Bobby Baker: Mental Illness and me, 1997-2008», uma selecção de desenhos da performer e humorista britânica que regista o seu estado mental durante o tempo em que recebeu tratamento psiquiátrico e que já confirmou presença para a inauguração.
Ainda decorrerá a projecção do filme «How to Live» (2004), sobre o espectáculo onde Bobby Baker interpreta uma psicoterapeuta em sessão aberta com uma das suas pacientes: uma ervilha congelada, a quem foi diagnosticada uma desordem de personalidade.
Fonte: CiênciaHoje
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian
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