Ciência
António Damásio recebeu o título de doutor honoris causa, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
O neurocientista António Damásio considerou o título de doutor honoris causa atribuído pela Universidade de Coimbra (UC) como reconhecimento do seu trabalho científico e do valor humano da área de investigação a que dedica a sua vida.
“Tem um significado particular, ligado à posição histórica ímpar da Universidade de Coimbra. Recebo este grau com imensa apreciação”, afirmou na cerimónia de doutoramento.
Remetendo para a área de investigação da escola onde a partir de hoje se integra, António Damásio observou que se fosse possível viajar no tempo e voltar um século atrás, e se fosse possível perguntar ao mais sagaz dos sábios qual seria o futuro da Psicologia, “é bem provável que a resposta fosse desencorajante”.
Segundo António Damásio, “a Psicologia, diria o sábio, estaria pronta a declarar o fim dos seus trabalhos, já que tudo o que era preciso descobrir sobre a mente humana estava descoberto, ou quase”.
Na óptica do neurocientista, “esse sábio imaginário teria sido um péssimo profeta e se teria enganado profundamente. O projecto da psicologia científica tem vindo a ser realizado, com êxito e velocidades crescentes, através da neurociência e da biologia empenhadas em descobrir como o tecido nervoso constrói a mente”.
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Fonte: Público
Ciência Viva no Verão
Lançado em Julho de 1996, a Ciência Viva tem como missão a promoção da cultura científica e tecnológica junto da população portuguesa.
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Sono interrompido prejudica a memória
Estudo pode ajudar pessoas com doença de Alzheimer e apneia nocturna.
A investigação liderada por investigadores da Universidade de Stanford (EUA) e publicado na“Proceedings of the National Academy of Science” (PNAS) baseou-se em testes realizados em ratos que permitiram verificar que perturbar o sono – que foi fragmentado, mas não menor ou menos intenso do que o normal – tornou mais difícil para os animais reconhecerem objectos familiares.
Enquanto dormiam, os investigadores enviaram feixes de luz directamente ao cérebro dos roedores, o que perturbava o sono, mas não afectava o tempo total ou a qualidade de sono.
A continuidade do sono é, de acordo com os cientistas, um dos principais factores afectados em várias doenças que atingem a memória, incluindo o Alzheimer e outros deficits cognitivos relacionados com a idade. O sono interrompido também afecta as pessoas viciadas em álcool e as que sofrem de apneia do sono.
Segundo os cientistas, apesar de não existirem provas de causalidade entre a interrupção do sono e qualquer uma dessas doenças, “uma quantidade mínima de sono ininterrupto é crucial para a consolidação da memória”.
‘Quinta Sinfonia’ de Beethoven destrói células cancerígenas
A ‘Quinta Sinfonia’ de Beethoven é uma das mais famosas composições da música clássica e, segundo um novo estudo brasileiro, pode ajudar a curar o cancro.
A pesquisa, levada a cabo pelo Programa de Oncobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisou células MCF-7, ligadas ao cancro da mama. Ao expor as referidas células ao famoso tema, uma em cada cinco acabou por morrer, o que entusiasmou os envolvidos.
O estudo, que teve início em Maio de 2010, está a permitir que se desenvolvam novas perspectivas de cura de tumores malignos, recorrendo a timbres e frequências, esclarece o jornal ‘O Globo’.
Já na página oficial da unidade de Oncobiologia da referida univesidade, a responsável do estudo, Márcia Capella, esclarece que já se usaram outras composições musicais, masnem sempre com os mesmos resultados.
“Iniciámos o nosso trabalho usando três composições: a ‘Sonata para 2 Pianos em Ré Maior’, de Mozart [conhecida por causar o ‘efeito Mozart’, um aumento temporário do raciocínio espaço-temporal de um indivíduo], a ‘Quinta Sinfonia’ de Beethoven e ‘Atmosphères’ [do húngaro György Ligeti], uma composição contemporânea, que se caracteriza principalmente pela ausência de uma linha melódica que traduza o tema”, afirma.
Segundo a especialista, a composição de Mozart não provocou nenhuma alteração nas células, mas as de Beethoven e Ligeti causaram a morte de em média 20% delas, além da “diminuição de tamanho e granulosidade”.
O facto de Mozart não ter provocado nenhuma reacção está a espantar os responsáveis, já que suas composições estão entre as mais utilizadas na musicoterapia.
“Ainda precisamos estudar melhor os mecanismos destes efeitos, ou seja: porque apenas alguns tipos de células são sensíveis a estas músicas? E por que apenas alguns tipos específicos de músicas provocam efeitos? Fizemos testes também com a MDCK, uma célula não-tumorigénica, e com linfócitos, e elas não responderam a estes estímulos sonoros”, reconhece Márcia Capella.
O objectivo é conseguir usar as frequências sonoras como processo de cura, em vez de outros mais violentos como radioterapia.
Fonte: CM
Cientistas fazem avanços na “leitura do pensamento”
Em alguns anos poderá ser possível traduzir o pensamento de um paciente incapacitado de falar
Transformar ondas cerebrais em palavras pode ser uma forma de “ler o pensamento” de pessoas incapacitadas de falar devido a paralisia. Um grupo de cientistas da Universidade de Utah conseguiu mostrar num estudo que isso será possível.
A equipa liderada pelo bio-engenheiro Bradley Greger concebeu um mecanismo em que 16 eléctrodos formam uma “grade”, de apenas alguns milímetros. Os cientistas implantaram dois destes mecanismos nos centros de fala do cérebro de um paciente epiléptico.
Gravaram, depois, os sinais do cérebro enquanto o voluntário repetia as palavras. Posteriormente, tentaram descobrir quais os sinais cerebrais que representavam cada uma delas. Conseguiram distinguir os sinais cerebrais correspondentes, com 76 a 90 por cento de eficácia.
Bradley Greger afirmou já que este estudo preliminar poderá desenvolver-se para que dentro de três anos seja possível conceber uma máquina de “tradução”.
Este sistema poderá ser útil para quem sofra de paralisia. “Os pacientes poderem transmitir o que pensam pode ser um grande avanço para a sua autonomia”, acredita o investigador.
Testes detectam incidência de Alzheimer
Cientistas britânicos no King´s College of London, Reino Unido, anunciaram esta semana que descobriram uma relação entre os níveis elevados de clusterina no sangue e o aparecimento da doença de Alzheimer.
De acordo com a investigação levada a cabo durante cinco anos, níveis elevados de clusterina no sangue apontam para o risco de aparecimento da doença. Descobriram ainda que as alterações dos níveis desta proteína começam a verificar-se dez anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas de Alzheimer.
“Este é um primeiro passo importante para descobrir um teste pré-clínico. Em termos de futuro, esses testes poderão ser usados como uma parte de um processo incrível” diz Simon Lovestone, coordenador do projecto.
A partir deste controlo precoce que o teste potenciará, será possível tomar um conjunto de medidas como exames ou fármacos para prevenir ou retardar o aparecimento desta doença incapacitante.
A doença de Alzheimer atinge 35 milhões de pessoas em todo o mundo. É uma forma grave e progressiva de demência. Ao fim de algum tempo deixam de conseguir perceber o meio envolvente e de cuidarem de si próprias.
A Organização Mundial da Saude (OMS) calcula que o número duplique nos próximos 20 anos. Um sinal alarmante mas que leva agora uma nova esperança já que os investigadores esperam conseguir viabilizar o teste dentro de cinco anos ao público.
Fonte: Boas Notícias
Logótipo da World Urban Campaign é português
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| Logótipo seleccionado para a World Urban Campaign |
Um logótipo que concentra conceitos como política comum, urbanismo, construção, ambiente, dinâmica, cidade, mundo, entre outros, foi o trabalho desenvolvido por João Borges, o designer português distinguido pelas Nações Unidas como vencedor do concurso internacional para a selecção do logótipo da World Urban Campaign, uma plataforma que promove o lema “Cidade Melhor, Vida Melhor”, patrocinada pela UN-Habitat.
De acordo com os membros do júri do concurso, depois de terem deliberado exaustivamente o mérito de todos os trabalhos enviados a concurso, “encontraram um logótipo [o de João Borges] que não só incorporava totalmente a World Urban Campaign e a sua missão, como também serviria aplicações funcionais e pragmáticas desta iniciativa global composta por vários parceiros, culturas e línguas”.
“Muito satisfeito” com esta vitória, João Borges confessou ao Ciência Hoje que se sentiu “vocacionado para o tema”, na medida em que já realizou muitos outros trabalhos relacionados com o conceito das cidades sustentáveis, tendo também colaborado com instituições ligadas ao ambiente.
“Tentei criar um símbolo que potenciasse tudo aquilo que é a noção de cidade, unidade, quadriculas, diferença, política comum, etc., de forma a criar um globo. Tinha alguma convicção naquilo que estava a fazer”, referiu, sublinhando que ganhou o concurso com “unanimidade”.
A World Urban Campaign foi lançada no V Fórum Urbano Mundial com o objectivo de promover políticas e práticas para uma urbanização sustentável. O concurso para a escolha da identidade da sua campanha foi gerido pelo Departamento de Design e Indústria da Universidade de São Francisco.
O designer admitiu que raramente participa em concursos por questões de falta de tempo. Contudo, o propósito desta campanha centrado numa visão positiva para a urbanização sustentável, fê-lo responder ao repto. Ainda que não tenha visualizado os restantes 200 trabalhos concorrentes, de designers ou ateliers provenientes de 51 países diferentes, João Borges acredita que a sua vitória se deve ao facto de o seu logótipo “transmitir bem a dinâmica comum, o urbanismo e a política comum” expressos “nas pequenas partes agregadas no mesmo conjunto”.
Na sequência desta distinção, o designer portuense foi convidado para participar no V Fórum Urbano Mundial, iniciativa promotora do debate e análise das consequências da progressiva urbanização do planeta. Na cerimónia de encerramento deste fórum, que se realizou no Rio de Janeiro de 22 e 26 de Março, João Borges foi agraciado com um prémio no valor de cinco mil dólares – atribuído pelo responsável da Veolia Environment (patrocinadora do concurso) -, tendo também apresentado o logótipo da sua autoria perante um público composto por 13 mil pessoas.
Carreira recheada
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| João Borges revelou-se «muito satisfeito» com a distinção |
A conquista desta vitória de João Borges deve-se certamente à vasta experiência que adquiriu ao longo da sua carreira. Para além de ter integrado a equipa de designers da Porto2001, Capital Europeia da Cultura, é membro de diversos júris em concursos na área do design gráfico, e formador em duas pós-graduações no Departamento de Museologia da Faculdade de letras do Porto.
É também artista plástico, membro do Type Directors Club de Nova York e investigador, possuindo ainda um atelier, onde desde há 18 anos desenvolve obras ideacionais concebidas para clientes institucionais, culturais e editoras.
No ano passado, juntamente com Mário Laginha, editou um projecto de fusão música-design – “Cosmolodias”, sendo que foi produzida uma exposição multimédia, um concerto (piano-computador) e um Booklet que comporta um DVD com o projecto na forma de videogramas.
Fonte: CH
Gravuras dos antigos habitantes da Escócia podem ser um tipo de escrita
Investigadores identificaram escrita através de processo matemático mas não a conseguem decifrar
A civilização dos pictos, que ocupou a actual Escócia entre 300 a 843 d.C, deixou uma série de pedras esculpidas. Até agora, as imagens nelas presentes eram consideradas arte rupestre ou vinculadas à heráldica.
O novo estudo de um grupo de investigadores britânicos das Universidades de Lancaster e Exeter, publicado na «Proceedings of the Royal Society A», sugere que as imagens são afinal a linguagem escrita dos pictos, há muito desaparecida.
Esta civilização continua a ser enigmática. Quando os romanos chegaram à Grã-Bretanha deram-lhe o nome de pinctus, que significava “pintados”, pois estes usavam o corpo tatuado.
Os autores do estudo explicam que deixaram algumas centenas de pedras habilmente esculpidas com símbolos estilizados. Devido à sua natureza fragmentária, ainda não tinha sido possível percebe-se se representavam uma forma de linguagem escrita.
O investigador Rob Lee e a sua equipa analisaram todas as imagens encontradas nas poucas centenas de rochas. Utilizaram um processo matemático conhecido como “entropia da informação” e estudaram a forma, a direcção, a aleatoriedade e outras características de cada gravura.
Os dados foram depois comparados com inúmeras linguagens escritas, tais como os hieróglifos egípcios, textos chineses, escrita latina, anglo-saxão, língua nórdica antiga, galês antigo, entre outras. Apesar de não coincidirem com nenhuma delas, apresentam características de escrita baseada numa linguagem falada.
| As imagens mais utilizadas nas gravuras (clique para aumentar) |
Rob Lee, citado pela Discovery News, explica que a escrita aparece em duas formas básicas: a lexicográfica, que se baseia no discurso, e a semasiográfica, onde as imagens veiculam a significação pré-definida.
Paul Bouissac, da Universidade de Toronto, um dos mais conceituados investigadores na área, afirmou à Discovery que é mais que plausível que os ‘símbolos’ Pictos sejam exemplos de escrita, no sentido em que a informação codificada também tinha uma forma falada.
Contudo, o que se conhece deste sistema não permite, ainda, a sua decifração. Talvez apareça uma espécie de «pedra de Roseta» (aquela que permitiu decifrar-se o código hieroglífico egípcio) que desvenda o mistério. Uma descoberta dessas seria muito importante para conhecer aquela civilização perdida.
Artigo: Pictish symbols revealed as a written language through application of Shannon entropy
Fonte: CiênciaHoje
Pele pode ser ecrã do futuro!
Na ficção científica abundam os exemplos de aparelhos electrónicos que se conectam ao corpo humano. A Microsoft, em colaboração com investigadores da Universidade de Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, acaba de lançar um dispositivo capaz de transformar a pele numa tela táctil onde se visualizam as imagens dos dispositivos electrónicos e sobre a qual executam ordens.
A mecânica do Skinput baseia-se em reconhecer os toques aplicados dobre a pele. Segundo os cientistas, quando se toca levemente numa parte do corpo, esta transmite uma pequena vibração ao organismo, como a onda expansiva que se forma quando lançamos uma pedra à água.
Esta vibração emite sinais acústicos de baixa frequência imperceptíveis ao ouvido humano. A equipa desenvolveu um biosensor capaz de localizar este sinal acústico, com 95 por cento de probabilidades de reconhecer as ordens recebidas.
Para que o Skinput funcione é necessário estabelecer que ordens do teclado irão ter as diferentes zonas do corpo. O biosensor reconhecerá de onde procede o sinal e poderá executar a tarefa correspondente.
“Conseguimos um nível sucesso de 95 por cento”, garantiu Chris Harrison, da Carnegie Mellon. Segundo o mesmo investigador, “isto supões uma falha em cada 20 ordens, uma precisão similar à de um iPhone”, o telefone móvel da Apple.
Uma vez que o sinal chega ao biosensor é reenviado para o dispositivo electrónico, graças às redes inalámbricas (em inglês wireless network).
iPhone na palma da mão
Esta tecnologia funciona sobre todo o corpo mas os investigadores centraram as suas aplicações sobre o braço. O dispositivo consiste numa bracelete que pode colocar-se em qualquer altura. Assim, o centro de comando tanto pode estar na palma da mão como no antebraço.
O biosensor pode ir acompanhado de um projector que envia as imagens do dispositivo para a pele, onde o usuário pode ver o menu do aparelho. “Mesmo que pareça uma loucura, na palma da mão podem executar-se todas as tarefas de um iPhone”, explica Harrison.
Contudo, o projector nem sempre é necessário graças à propriocepção, ou seja, a percepção que as pessoas têm do seu próprio corpo e a qualidade pela qual nos movemos no escuro.
Esta característica faz com que “não seja necessário um projector para muitas das aplicações como por exemplo para os reprodutores de áudio”, acrescenta o cientista.
O motivo para desenvolver este tipo de tecnologias tem a ver com “a superfície cada vez mais reduzida dos dispositivos electrónicos”, explicou Harrison. Segundo os investigadores, este feito “reduz a sua funcionalidade e limita a interacção espacial”, no então “a pele aumenta a superfície e é mais acessível”.
O aparelho ainda não está pronto para entrar no mercado, mas Harrison garante que o protótipo da bracelete “é muito barato, já que nos custou 37 euros”.
Segundo o especialista, “o Skinput é uma tecnologia de vanguarda onde se pode ver o futuro da electrónica”.
Fonte: CiênciaHoje





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