
(para a obra Diálogo Secreto das Luas de Felippa Lobato)
por entre pedras de escuro e de silêncio
águas densas imóveis
a lua apanham no espelho
intemporal do seu repouso
mundos reflexos imagens
em cima como em baixo
eu canto
a dimensão maior
onde a alma cresce
viajam formas sobre formas
todas as formas
sobre a forma original
na repousante doce
reciprocidade lunar
eu canto
a incorruptível beleza
luz divina
e o ser futuro iniciado dançante
entre luas
subtil ágil
promissor coração esvoaçante
entre luas
como amor alado como sopro
os céus actuam sobre a terra
vertiginoso audaz
cresce o sonho
claros lábios de água
acariciam novo tempo
Mariana Inverno

Durmo contigo ó lua
lua lânguida e serena sob a minha mão
amante na hora mágica
em que a feiticeira dos olhos de prata
activa os fluídos misteriosos
e dança com o lobo,
em diálogo íntimo com o cosmos.
Mariana Inverno
MULHER OU LUA
aí estava
estirada e branca
sem se saber
se era mulher ou se era lua
oleandros pálidos
sussurros de nada
afloravam vagos
aos lábios crepusculares
enquanto o astro se espraiava
indolente
um fogo branco aceso
na boca dos corpos interditos
mulher da lua alma lunar
na noite das estrelas
ocorriam todas as transformações
borda de água murmurante
(bebíamos prata e vento
sonhos de outrora
revoltos no esperançado rastro
de uma estrela cadente)
luz de prata luz de um vento nocturno
cauteloso como os sussurros
da tua boca lunar
mulher da Lua
alma lunar
registos de tempos
flutuam
olhar de luz corpo entreaberto
no magnífico leito do sonho
corpo de amor
alma de rosa
coroados de prata e vento e sangue
corpo de sangue
rosa azulada e adormecida
num imperativo olvido
aí ficaste
estirada e branca
sem se saber
se eras mulher
ou se eras lua
TESSA ESTATE
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