Submit Your Work for Assessment

Mente

MENTES FOSSILIZADAS


Mente_humanaSe há área que me seduza e alimente em mim a esperança num futuro mais equilibrado e justo, essa é a da educação. Pelo muito trabalho a fazer, pela perspectiva que urge mudar, por ser a educação aquilo que deixa no ser humano marcas e referências incontornáveis e determina, pela vida fora, a qualidade da sua caminhada na Terra.

É por demais óbvio que os programas educacionais implementados pela ordem vigente e a vida que levamos contribuem para fossilizar as mentes pois ênfase profundo é colocado numa formatação densa e normótica desde os primeiros anos da vida, em completa obliteração da liberdade e leveza originais com que a encarnação começa por se manifestar no planeta.

A agilidade mental necessária ao questionamento da vida e das situações bem como ao brotar de respostas criativas fica comprometida desde cedo através de programas que não deixam qualquer margem de manobra para aquela. A função central da educação deveria ser o despertar o ser humano para o seu propósito maior na Terra, para a especificidade da sua essência nele dormentes. Cada ser humano traz consigo um imenso potencial criativo – idealmente a explorar de forma única – e caberia aos educadores e à sociedade em geral estimular a descoberta desse vasto e diversificado repositório de talentos e qualidades particulares de cada ser, o qual representa afinal o grande legado da espécie humana terrestre.

Ora, nas sociedades actuais, em que por um lado programas educacionais medíocres, cada vez mais debelados de profundidade, são impostos aos educandos como metas-padrão para que lhes sejam passados atestados  de qualificação profissional e por outro a vida social se passa entre o shopping centre, a aberrrante televisão e os jogos de computador, não se podem esperar resultados por aí além. A grande maioria dos jovens torna-se  flor murcha à partida, fossilizados pela educação num comportamento robótico, incapazes de articular o pensamento para além de um modesto léxico de 3.500 palavras que, por vezes, nem soletrar de forma correcta conseguem. Como se o espírito, silenciado por essa castrante formatação, se tivesse distanciado do seu portador, não possibilitando assim uma mais genuina manifestação.

Dói-me, dói-me muito. Vejo a miséria da submissão, o adormecimento da luz interior, a estupidificação, a vulgaridade. O planeta está povoado de seres manipuláveis, os escravos modernos, exactamente as peças necessárias ao enfraquecimento do único factor que pode salvar a humanidade: o poder criativo. Aquele que cria dispõe de estruturas internas arejadas, sabe escutar, olhar. Prescruta, investiga, canta, põe em causa, abre-se a novas perspectivas, aponta  sempre para mais alto, como o solitário pássaro de San Juan de la Cruz. O criativo sabe estabelecer de forma intuitiva novas conexões com os elementos conhecidos e, sobretudo, com os apenas pressentidos. À mente afloram-lhe com naturalidade combinações únicas, frequentemente geradoras de novos caminhos, mais justos e promissores. A criação verdadeira é sempre bela e comovente! Combustível da Esperança, ela é no fundo a única verdadeira riqueza que podemos deixar aos nossos descendentes.

Toda esta problemática levanta complexas questões relacionadas com a educação das nossas crianças e os padrões da vida que levamos e lhes impomos como referência. Parece-me urgente que resgatemos dentro de nós os valores dos afectos, da ligação à mãe natureza e aos animais, nossos companheiros na Terra, os nobres valores da consciência social e do empreendorismo responsável nas diferentes áreas da existência humana. Que reencontremos a coragem de questionar a qualidade da vida que nos foi sendo imposta e que, quase inconscientemente, deixámos que fosse minando todas as horas dos nossos dias.

Grandes mudanças são necessárias, mas não nos podemos amedrontar pela gigantesca tarefa que se vislumbra. Há que começar por algum lado e, no fundo, pode ser mais simples do que parece.

Paro. Escuto. Olho.Quem sou? Este ser de superfície, moldado por forças alienadas, que se debate por manter o pescoço fora de água, ou algo que nas profundezas de mim mesmo espera a hora da sua expressão? Ao que venho? O que é que me faz feliz?O que é que permanece em mim, quando o ruído esmorece e as luzes se apagam?Diante de quê é que o meu coração canta?Por onde anda a luz dos meus sonhos, o que é que dorme latente, esquecido em mim, como posso purificar-me ao ponto de expressar em mim o máximo de energia do que realmente sou?

A optimização do ser terá de constituir  o fulcro central da educação. Passa pelo amor, pelo respeito e pela dádiva contínua, passa por uma inequívoca ambição espiritual e por muito trabalho realizado incansavelmente na Alegria maior da consciência em expansão.

Faces da saúde mental: Entre a ciência e a arte

mindfacesO Fórum Gulbenkian de Saúde 2010, dedicado à Saúde Mental, tem início este mês de Fevereiro, dia 25, e é comissariado pelo psiquiatra José Miguel Caldas de Almeida – também Coordenador Nacional para a Saúde Mental.

O «Mind Faces – As Diferentes Faces da Saúde Mental» engloba um programa de actividades que cruza a vertente científica com a artística, contando para isso com a colaboração do Centro de Arte Moderna e do Programa Gulbenkian Educação para a Cultura.

Assim, de Fevereiro a Novembro, decorrerá na Fundação Gulbenkian um conjunto de iniciativas dedicado a questões de Saúde Mental, que inclui colóquios, exposições, conferências, um ciclo de cinema e a projecção de um documentário inédito sobre João dos Santos, para além de outros eventos-satélite.

“A percepção da importância da saúde mental mudou radicalmente na última década, graças a estudos epidemiológicos que comprovaram uma coisa que já sabíamos: as doenças mentais são bastante frequentes, e algumas têm uma prevalência elevada”, afirmou o comissário do fórum. E é neste contexto global, em que “as doenças mentais têm um impacto negativo, nas pessoas e na sociedade, muito superior ao que se pensava antigamente”, que surge o «Mind Faces».

A sessão de abertura, que começa às 9h30, contará com a presença de Emílio Rui Vilar, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, administradora da mesma instituição, e da ministra da Saúde Ana Jorge.

Colóquio, exposições, projecções

Paralelamente, arrancam o programa científico com o colóquio «Saúde Mental e Ciência: Novas Contribuições», onde especialistas nacionais e internacionais irão discutir, ao longo do dia, as principais contribuições da ciência para a compreensão da influência destes diferentes factores na etiologia e evolução das doenças mentais.

Ainda no dia 25, será inaugurada a exposição «O Diário de Bobby Baker: Mental Illness and me, 1997-2008», uma selecção de desenhos da performer e humorista britânica que regista o seu estado mental durante o tempo em que recebeu tratamento psiquiátrico e que já confirmou presença para a inauguração.

Ainda decorrerá a projecção do filme «How to Live» (2004), sobre o espectáculo onde Bobby Baker interpreta uma psicoterapeuta em sessão aberta com uma das suas pacientes: uma ervilha congelada, a quem foi diagnosticada uma desordem de personalidade.


Fonte: CiênciaHoje

Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian