Terra Madre representa a globalização positiva, dá voz a quem não se resigna ao modelo homologante e desumano da indústria. As comunidades de Terra Madre reúnem-se para proclamar que a produção de comida deve manter uma relação de harmonia com o ambiente; de maneira a afirmarem a dignidade cultural e científica das práticas tradicionais; para voltarem o seus próprios países com a energia positiva proveniente do sentiremse parte de uma verdadeira “comunidade de destino”.
Terra Madre termina com um poema lírico sobre um lavrador do vale do Adige que planeia e constrói uma horta, tudo sozinho, estação após estação. Um hino à natureza e às mãos do Homem, contado com um carinho e com um sentido tão aguçado dos tempos e das matérias, que quase nos faz sentir o perfume da terra e dos frutos. Uma maravilha.
Não sei o que me assalta, hoje em dia.
Estou contente, logo triste.
A minha alma anseia pela graça e tudo reviro na ânsia de a encontrar. É, contudo, no estar quieta que ela melhor percorre o interior das minhas células, aliviando-me de todos os pesos, mesmo do de estar viva.
Fico ensimesmada a pensar no motivo de tantos altos e baixos, eu que fui sempre uma criatura na aparência estável e equilibrada. Gosto e deleito-me em todas as coisas que em geral encantam o género humano: flores, crianças, ternura, afectos, boas comidas, fragrâncias, beleza, sonho, canto, música…
Mas há um sítio-estádio onde nada disso parece contar muito. Difícil descrevê-lo, complicado alcançá-lo…É como os meus olhos a olharem para dentro de si mesmos, é como se por detrás de mim estivesse eu mesma e para o nosso diálogo não tivesse sido achada por ora a palavra justa.
Portais a abrirem-se, certezas totais moldáveis como um plasma, choro, dádiva, dúvida sistemática recorrente como a estação fria em cada ano, solidão, união, ausência…
Triste ou contente, resisto mais.
De algum modo, sou mais vezes e por mais tempo a que está por detrás de mim mesma.
A Arte para mim foi o inicio do desconhecido em mim. Foi ultrapassar a perda, a dor.Arte através da pintura é deixar fluir o pensamento nas imagens do subconsciente.È deixar passar para fora para a tela um sentimento de consciencialização da distruição da natureza. È estar completamente interiorizada num mundo que me faz esquecer as agruras da vida. Céus,sol,mar,ondas,árvores vivas,árvores mortas,troncos envelhecidos.....Afinal para mim, a minha arte é expressar sentimentos através da beleza da Natureza.
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